Powered By Blogger
Mostrando postagens com marcador dce. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dce. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de abril de 2012

SOBRE AS ELEIÇÕES DO DCE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

Desde o fim da semana santa, travou-se uma importante e significativa batalha política na disputa pela direção do Diretório Central dos Estudantes na Universidade Federal do Pará, a segunda maior instituição federal de ensino público do país. Num momento em que esta passa por uma série de históricas transformações infra estruturais, da consolidação do processo de interiorização e aprofundamento da democracia, o grupo que geria a dez anos os rumos do movimento estudantil perdeu as eleições desta última semana.
O PSOL, principalmente, perdeu o comando da entidade através da qual destilou sectarismo e intolerância política, exacerbado esquerdismo, principalmente nos últimos quatro anos (mais à frente explico a diferença que havia no período anterior a 2008). Uma importante derrota, levando em conta que era o maior DCE que dirigiam, em todo o Brasil.
Durante meus tempos de movimento estudantil no Rio de Janeiro, lembro da UFPA como sinônimo de CST (Corrente Socialista dos Trabalhadores), então tendência do PT. Este era o principal espaço formador de quadros deste partido portanto, esta não é qualquer derrota para eles, foram feridos gravemente. Abro um parênteses para falar da CST:
A forma como cercaram Pedro Fonteles no ICB, covardemente, diz muito sobre o que são hoje, podemos somar a invasão que promoveram à sede do PSTU em Niterói, espancando as pessoas que ali se encontravam. Não possuem um único parlamentar e sua principal liderança no estado, na primeira oportunidade, traiu seus eleitores e mudou-se para o Rio de Janeiro, depois de uma epifania sobre a revolução ética no Brasil, pós CPI do Mensalão. Uma tendência, como diz o PSTU, irresponsável. Há uma ou duas na UFPA que não combinam nem um pouco com isso. Torço para que recuperem o tempo perdido e utilizem sua militância para algo construtivo social e pessoalmente. Falo isso sinceramente.
Do PSTU, apesar de fazer parte do grupo que perdeu a gestão do DCE, não posso falar a mesma coisa. Eles não precisam tanto da UFPA, possuem bastante consistência orgânica e, de fato, a ANEL os têm ajudado a recrutar quadros para suas fileiras, e conseguem mantê-los ocupados com isso. Não fará tanta diferença para eles, são menos dependentes desta dinâmica. No fim, acho que ficarão mais a vontade como oposição e poderão, inclusive, substanciar sua militância com mais uns dois ou três quadros do PSOL, depois da guerra, quero dizer, balanço. Não seria nenhuma novidade.
Venceram a eleição os integrantes da CHAPA 2- UFPA QUE QUEREMOS, pois conquistaram, pela primeira vez em uma década inteira, uma das coordenações gerais... também o fizeram os militantes da CHAPA 1- a LIGA ACADÊMICA INDEPENDENTE, que conseguiu ultrapassar os 10% de cláusula de desempenho, arrebatando quadro vagas na próxima direção. E, a maior vitória foram os 55% totais, através dos quais as duas chapas juntas, caso queiram, têm o poder de marcar reuniões, ou mesmo acelerar o ritmo das necessárias mudanças pelas quais o DCE precisa passar.
Agora, mais do que falar sobre quem perdeu, é importante antevermos os dilemas e decisões do que vem pela frente, além da necessidade de ajustamento na gestão em torno de um conjunto de ideias e metas que unifiquem o máximo de forças e pessoas políticas, que farão parte da nova diretoria do DCE. Urge a resolução desta questão para que a agenda do movimento estudantil não fique à mercê de brigas e picuinhas de perdedores. É preciso andar pra frente, quem quiser caminhar junto que o faça, os que não, enfim, assistam ao espetáculo.
Penso que existem três grandes desafios iniciais que o DCE da UFPA precisa resolver e que dependem, exclusivamente, de vontade política:
1- É fundamental regularizar a situação jurídica e institucional da entidade. É tão absurdo este não possuir ao menos o CNPJ, que não preciso alongar-me neste assunto.
2- É preciso estabelecer uma agenda de reapresentação do DCE para dentro da Universidade (Institutos e Campi) e para a sociedade paraense, conversar com prefeitos, deputados, senadores, presidentes de entidades dos movimentos sociais (de todos os partidos), articular junto à sociedade civil organizada; participar das conferências e agendas públicas, ou seja, voltar a fazer parte, para além das manifestações partidárias, da vida do restante da sociedade.
3- Estabelecer regras claras de funcionamento da diretoria, com penalidades para os que faltarem reuniões, antecedência na convocação destas e respeito às decisões coletivamente deliberadas.
Ademais, existem projetos em curso, como a captação dos recursos para os JOGOS INTERNOS DA UFPA e para o projeto  ESPORTE NA UNIVERSIDADE, cerca de R$2.500.000,00, que podem credenciar a UFPA como a maior investidora no esporte, entre todas as demais no Brasil, incluídas aí as universidades particulares. Às vésperas da Copa do Mundo e das Olimpíadas, podemos ser exemplo neste importante segmento, para todo o restante do país. E tantos outros projetos em curso, da universidade ou não, para os quais esta entidade durante tanto tempo negligenciou. É necessário saber quais e onde estão estas iniciativas, e participar delas.
Mas, para tudo isso dar certo, é preciso que, o campo que ganhou as eleições tenha calma, não caia em provocações, tenha em mente que, mais importante que identificar os pontos de diferença, neste momento, precisamos encontrar os de concordância, e passar a segunda, e passar a terceira...enfim...Quem quiser acompanhar vai ter de, primeiro, aprender a ser minoria, engolir o orgulho e a arrogância. Espero que o façam, pois, desta forma, avançaremos mais rápido. Aliás, pra quem quiser, tenho várias fichas de filiação do PCdoB e, tenho certeza, que a turma do PT e PDT também. Pros insatisfeitos, não existirá hora melhor.
Parabéns aos aos lutadores da maior batalha que já presenciei dentro de uma universidade, foi minha última, mas a melhor...