quinta-feira, 25 de abril de 2013

Carta aberta a Professora Doutora Ana Tancred

Cara professora, soube que numa reunião de diretores de Institutos da Universidade Federal do Pará, a senhora citou-me, nominalmente, afirmando, entre outras coisas, que eu seria um ESTUDANTE PROFISSIONAL. Tudo isso seria suscitado pelo fato de eu, em conjunto com outras pessoas, ter ajudado a chapa PROPOSIÇÃO, que foi a chapa que ousou desafiar a senhora e seu grupo de amigos e amigas iluminadas, detentores de toda a imunidade ética, enfim, verdadeiras autarquias fundacionais. A verdade é que o problema central são as eleições para a Reitoria de nossa universidade e a sua preocupação, e a de parte da faculdade de Educação física, com o fato de termos rompido com a ordem estabelecida na Cátedra e apresentado um projeto para profissionalizar e democratizar a execução dos JOGOS INTERNOS DA UFPA.
Porém, antes de qualquer argumentação neste sentido, quero falar um pouco sobre o que o termo”ESTUDANTE PROFISSIONAL”:
Este termo data do período da Guerra Fria, e, aqui no Brasil, principalmente da Ditadura Militar. Ele era utilizado para desqualificar os (as) estudantes que optavam por militar em um partido ou facção política (normalmente de esquerda e/ou comunista) e que agiam dentro da universidade. É um termo pejorativo, utilizado basicamente pela direita, pelo senso comum ou Repressão. Este carrega um sentido de oportunismo, de mistério sombrio, de desfaçatez, de manipulação, enfim, nada que seja bom constar na biografia de alguém que com ela se preocupe. Se a senhora não foi um destes chamados “ESTUDANTES PROFISSIONAIS”, provavelmente foi apoiadora da causa de muitos, ou então mudou muito sua trajetória, dado que anda com pessoas que têm raízes no movimento sindical e estudantil da UFPA.
Na verdade, não foi a primeira vez que escutei alguém me chamar desta forma, mas, sem sombra de dúvida, mas foi a que mais teve sentido. E este explicarei nas linhas seguintes:
Fiz parte, com muito orgulho, deste conjunto de pessoas que você (des)qualificou como “ESTUDANTES PROFISSIONAIS”. Foi durante o fim da década de 90, na época do FORA FHC, no período em que resistíamos aos desmandos do neoliberalismo no país, em franca ascenção, e que mirava a morte do sistema público de ensino universitário brasileiro. Fui diretor da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro, responsável pelo acompanhamento da Região Serrana do Rio de Janeiro, onde morava e estudava. Em 2001 passei no vestibular para o curso de História, na Universidade Federal Fluminense, onde fui eleito conselheiro departamental e universitário, assumindo a Diretoria da UEE-RJ responsável pela área de Niterói e São Gonçalo. Logo depois, em 2002, pouco antes da histórica vitória das forças populares, elegendo Lula, fui eleito presidente da UEE-RJ. Em 2003 assumo a vice presidência da UNE no Rio de Janeiro. Só fui receber qualquer importância, a título de ajuda de custo neste último período, cerca de 300 reais por mês (2003 e 2004). Não tive bolsas, de nenhum tipo.
Bom, durante esta etapa de minha vida eu poderia ser caracterizado, sem medo de errar, desta forma que a senhora quis dizer, quis significar. Era destes agitadores, que enfrentavam a privatização e perturbavam o falecido Paulo Renato e Fernando Henrique Cardoso, sendo detido e preso algumas dezenas de vezes, todas por razão de manifestações políticas e congêneres. Que tempo bom foi esse, vitórias e derrotas que temperaram a minha militância e de toda uma geração. Para mim, esse saudoso momento terminou, pelo menos para mim, em 2004, quando do fim de meu mandato à frente da entidade. Terminaram na universidade, visto que no período era dirigente estadual do Partido Comunista do Brasil no Rio de Janeiro e da União da Juventude Socialista- RJ.
E se haviam terminado naquele período, neste atual nem se fala. Realmente estudo na UFPA, mais especificamente na Faculdade de Filosofia, matrícula orgulhosamente conquistada numa prova de transferência, mais conhecida como Vestibulinho. Tive a honra de poder matricular-me nesta universidade, que, além de linda, é pujante espaço de desenvolvimento dos movimentos sociais, campo de ação do qual nunca me afastei. Estranho seria se, um militante com mais de 15 anos de vida nas lutas, entrasse para a UFPA e não participasse, ao menos de leve, da disputa cotidiana de idéias e rumos que acontece.
Parece que um dos episódios nos quais a senhora se baseia para chamar-me de ESTUDANTE PROFISSIONAL foi o processo eleitoral do ICED, quando de sua vitória sobre meu amigo e ex-colega de partido, professor Ronaldo Lima. Neste período eu já fazia parte da direção da base do PcdoB na UFPA e, na época, decidimos que ajudaríamos esta chapa. Da mesma forma, todos os militantes do PSOL da universidade giraram suas atenções para lá, a senhora Vera Jacó (Gerdau) mobilizou a família para garantir facilidades jurídicas, enfim, houve uma disputa política dentro da universidade, sabida por todos. Quando fica claro este fato, sua afirmação de que eu seria ESTUDANTE PROFISSIONAL, por conta desta empreitada em que perdemos uma batalha, soa como sonsa ingenuidade ou má fé, ou provavelmente as duas coisa combinadas. Do contrário devo agradecer-lhe, pois estaria elogiando-me, comparando-me com aqueles com quem anda, pois não há diferença entre as motivações destes e as minhas, quando o ponto de vista é a forma utilizada, que é o mérito em questão. Acredito que considera seus pares como pessoas detentoras de algum respeito, ou então, enfim, sua sanidade, ou caráter, estariam comprometidos, ou mesmo quem sabe os dois. A senhora deve saber em qual das duas opções se enquadra (pode também fazer mais combinações, caso achar necessário)
De qualquer forma, será um elogio, visto que José Henrique Vilhena (interventor de FHC na UFRJ, entre outras figuras tratantes, já referiram-se desta forma a meu respeito anteriormente. É uma honra ser odiado pelos inimigos ou mesmo amado pelos amigos, ruim é não ser nada.

 
Alan Frick- estudante de filosofia e conselheiro titular do Conselho de Ensino e Pesquisa da UFPA
 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Filhos, Espiritismo e Futebol

vivendo e aprendendo...
sou espírita kardecista...portanto concordo com a ideia de que estamos aqui para aprender e evoluir...
hoje surpreendi meu filhote de 7 anos, Vítor Frick, jogando FIFA SOCCER (VERSÃO 13, para XBOX 360)...a partida era entre Fluminense X Flamengo...estava 2 X 0 para o maldito tricolor quando perguntei:
- filhote, vc está perdendo para o Fluminense?
- não pai...estou jogando ...com o Fluminense...é bem melhor que o Flamengo...
já antevendo a resposta, ousei tolamente e perguntei:
- Mas você não torce para o Flamengo?
- Pai...gosto do Flamengo e do Fluminense...
mais tolamente ainda tentei argumentar:
- mas filhote...não pode torcer para os dois...é preciso escolher apenas um...
- Pai...isso não faz sentido...por que eu não posso gostar dos dois?
Sem nenhum argumento real ou que não fosse uma falha grave de caráter, resignei-me...
Duas conclusões possíveis:
1- ele realmente torce para os dois...
2- ele quer me agradar e não quis dizer que torce para o Fluminense...
No primeiro caso meu filho evolui espiritualmente bem antes de mim e ignora essas idiotas, mas deliciosas, disputas mundanas...
No segundo caso eu terei de evoluir espiritualmente e levá-lo aos jogos daqueles que exaltam o pó de arroz e laranjeiras...
Enfim...